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14 abril 2017

O que é canção? Makely Ka



Makely Ka


- O que é canção para você? De onde vem a canção? Para que cantar?
Canção é uma forma de expressão. Uma forma de pensamento. Talvez a forma mais adequada à língua portuguesa falada no Brasil. É uma adequação do pensamento ao nosso corpo. Uma maneira permeável de ligar a ideia ao movimento da língua. Nosso acento verbal encadeado em frases melódicas determina o jeito como nos colocamos diante do mundo. Traz nossa memória ancestral, dos cantos indígenas e dos lamentos africanos. Nossa canção vem da poesia galego-portuguesa, das cantigas de amigo, de amor, de escárnio e mal-dizer. Talvez seja uma das nossas grandes contribuições à humanidade. Um sistema de pensamento fragmentado. Tão disperso em pílulas melódicas de poucos minutos que sequer é considerado um sistema. Sequer é considerado um pensamento. Mas é nossa forma particular de encarar a complexidade das coisas. De traduzir em palavras a produção vertiginosa da vida.

- Cite 3 artistas que são referências para o seu trabalho. Por que estes?
Três referências importantes para o meu trabalho são o Guinga, pelo que ele representa para a canção brasileira hoje, sua concepção melódica e harmônica em diálogo com a tradição mais clássica da música brasileira, de Villa-Lobos a Tom Jobim; o Arto Lindsay pelo que ele representa de desconstrução, de estranhamento dessa mesma tradição, seu olhar estrangeiro, sua concepção de som e de ruído como componente da canção; Elomar pela reconstrução de uma tradução perdida, que remete à nossa herança ibérica, mas incorporando elementos brasileiros, da tradição nordestina, contemporânea.

06 abril 2017

Cancioneiro - Ferreira Gullar



A “letra de música”, sem a música, sem a voz, publicada num livro impresso, constitui um poema escrito? Essa questão amplia outra, mais ingênua, porém não menos marcada por aspectos e preconceitos estéticos, culturais e políticos, a saber: “letra de música é poesia?” 
Penso que o uso do termo “letra”, carregado do sentido impresso que ele tomou, anula a questão e interdita a resposta reflexiva, pois define de antemão o lugar que a poesia deve ocupar. Além de impor uma hierarquia entre as linguagens.
A aliança entre Música e Poesia remonta à origem da linguagem, ou seja, quando o canto está indissociável da poesia: dos aedos gregos à lírica trovadoresca; dos encantamentos indígenas aos orikis nagô-ioruba. O fato é que mesmo no império grafocêntrico, com a tipografia e o prestígio da palavra escrita, o verbo poético não renuncia a voz (ritmo, timbre, dicção) humana. Basta ler o clássico texto de T. S. Eliot – “As três vozes da poesia” – para perceber como poetas e críticos vêm tentando perceber essa relação. Aliás, a bibliografia neste campo é extensão.
Por outro lado, se a princípio todo poema pode ser musicado, a musicalização precisa atender a estruturas específicas ao acabamento da canção. Os procedimentos são outros. Por exemplo, caberá ao melodista buscar a "entoação embrionária" (expressão de Luiz Tatit) dos versos para, entendendo o ser e o tempo poético, criar a canção.
Seja como for, lido em concomitância à escuta das canções, o livro das letras de um cancionista é um bom exercício estético para profissionais da palavra escrita e da palavra cantada.
Tendo uma Canção Popular tão forte, a parceria entre letristas e poetas é marca de nossa cultura brasileira. Mesmo à margem de algumas resistências. É o caso do poeta Ferreira Gullar, autor da célebre letra (1976) de "Trenzinho do caipira”, parte integrante da peça Bachianas Brasileiras nº 2 (1933) de Heitor Villa-Lobos. Mas Gullar também assina outras peças de poemas musicados e de letras de canção.
Na esteira de alguns cancionistas que têm publicado suas letras para a leitura em livro impresso (ainda hoje suporte preferencial da poesia), a editora Topbooks lançou Cancioneiro – Ferreira Gullar (2015). A coleção das 13 letras ficou a cargo do professor Antonio Carlos Secchin e revela um Gullar talvez pouco conhecido no ambiente acadêmico que lhe é de costume. O próprio Secchin anota que “quando me predispus a reunir o cancioneiro de Ferreira Gullar, julgava que encontraria no máximo meia dúzia de letras. Para minha agradável surpresa, e contando com a prestimosa colaboração do gullariano Augusto Sérgio Bastos, foi possível chegar a treze”.
Cantados por Nara Leão, Edu Lobo, Chico Buarque, Maria Bethânia, Adriana Calcanhoto e Zé Ramalho, os versos do poeta Ferreira Gullar, parceiro de cancionistas como Sueli Costa, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Milton Nascimento e Fagner, são apresentados em versão manuscrita e digitada. Tal e qual as boas edições do cancioneiro da antiga poesia lírica provençal, por exemplo.
O critério de registrar unicamente “letras”, não “poemas musicados”, deixa de fora peças importantes – "Traduzir-se" (Fagner e Ferreira Gullar), "Bela bela" (Milton Nascimento e Ferreira Gullar) e "Poema Obsceno" (Ferreira Gullar e Moacyr Luz), entre outras. Ao mesmo tempo em que ilumina obras menos conhecidas como "Promessa de vida", com música de Murilo Alvarenga e interpretação de Gilliard (1986). Além das inéditas "Diferença" e "Menina passarinho", com música de Sueli Costa.
Nesse movimento de colocar em livro o que foi feito para a voz, a parceria entre Ferreira Gullar e Raimundo Fagner é reafirmada em quantidade. E fica evidente também que seja para a escuta, seja para a leitura, o rigor gullariano – sofisticação verbal e pesquisa rítmica – está presente. Ornado por 14 xilogravuras de Ciro Fernandes, o livro é objeto de arte importante para o acervo do colecionador, leitor, ouvinte de canção e de poesia.

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As letras

1. “Borbulhas de amor”. Vinil Pedras que cantam (1991). Música e letra: Juan Luis Guerra (“Burbujas de amor”), versão de Ferreira Gullar. Intérprete: Fagner.
2. “Canção do bicho”. Vinil Manhã de liberdade (1966). Música: Geni Marcondes e Denoy de Oliveira. Intérprete: Nara Leão.
3. “Contigo”. Vinil Palavra de amor (1983). Música: Fagner. Intérpretes: Fagner e Chico Buarque.
4. “Diferença”. Inédita. Música: Sueli Costa.
5. “Escuta, moça”. Vinil Íntimo (1984). Música e interpretação: Sueli Costa.
6. “Menina passarinho”. Inédita. Música: Sueli Costa.
7. “Menos a mim”. Vinil Pedras que cantam (1992). Música e interpretação: Fagner.
8. “Meu veneno”. Vinil Angelus (1993). Música e interpretação: Milton Nascimento.
9. “Onde andarás”. Vinil Caetano Veloso (1967). Música e interpretação: Caetano Veloso.
10. “Promessa de vida”. Vinil Gilliard (1986). Música: Murilo Alvarenga. Intérprete: Gilliard.
11. “Solução de vida”. CD Bebadosamba (1996). Música e interpretação: Paulinho da Viola.
12. “Te procuro lá”. Vinil Paralelo 30 (1978). Música e interpretação: Raul Ellwanger.
13. “Trenzinho do caipira”. Vinil Camaleão (1978). Música: Heitor Villa-Lobos. Intérprete: Edu Lobo. Letra publicada inicialmente no livro Poema sujo (1976).
 

31 março 2017

Oração à Rainha do Mar

Regravar Dorival Caymmi é para quem tem coragem. O que acrescentar a um cancioneiro ícone de nossa cultura e que já mereceu gravações memoráveis? Marina de la Riva encara o risco com beleza. A ponte sonora samba-zamba de Rainha do mar (2017) ilumina a poesia de Caymmi. Só pelo fato de unir "É doce morrer no mar" (Dorival Caymmi e Jorge Amado) a "Alfonsina y el mar" (Ariel Ramírez e Félix Luna) o disco já mereceria escuta atenta. Mas as belezas não param por aí.
A récita de "Oração à Rainha do Mar" (Marina de la Riva), incluída entre o canto de "Sargaço Mar" mira no "fim de som, doida canção" de Caymmi. O canto dá lugar à fala. Os tons - "verde luz / verde cor de arrebentação" - do mar sonoro caymmiano se ajustam à oração de quem quer "morrer para viver com Iemanjá".
Nesse processo, as línguas se embaralham: "Deusa do amor, deusa do mar" e "Reina del Mar, Reina del Agua" num movimento que tenciona o medo e o desejo condensados na amorosa e assustada representação da entidade cantada. 
A destinatária da mensagem (do pedido) é Yemanjá, tão brasileira, quanto cubana. Outrora, por exemplo, os versos de "Mi Cocodrilo Verde" (José Dolores Quiñones) já deixaram essa relação entre a Iemanjá do Brasil e a Yemanyá de Cuba evidente: "En tu palmar se pierde / La clásica leyenda / De Yemanyá y Changó".
O mar é ponte e a Rainha do Mar precisa ser mimada. É isso que Caymmi faz. Marina compreende isso. Com o destaque para o fato de que o pastiche engendrado por Marina de la Riva precisa cantar ao mesmo tempo a Rainha e Caymmi (o grande cantor da Rainha). A vocalização final de "Yemanjá Odoya", presente em "Sargaço Mar" e em "Oração à Rainha do Mar" sintetiza isso: o respeito pelo cantor, daí a oração ser recitada e não cantada; e a reverência que une - "Somos tus hijos / Venimos a pedirle la bendición, / Sabemos que no hay mal que por bien no venga / Y que hay más tiempo que vida, / Dicen que lo que está pa'ti nadie te lo quita" - os cantores à Iemanjá.


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Oração à Rainha do Mar
(Marina de la Riva)

Reina del Mar,
Reina del Agua,
Somos tus hijos,
Venimos a pedirle la bendición,
Sabemos que no hay mal que por bien no venga
Y que hay más tiempo que vida,
Dicen que lo que está pa'ti nadie te lo quita,
Nadie te lo quita.
Bendecinos madre, bendecinos.
Yemanja Odoya... Bendecinos madre.
Yemanja Odoya... Bendecinos... Yemanjá Odoya.

30 dezembro 2016

Discos 2016

Naná Vasconcelos e David Bowie, Sharon Jones e Elke Maravilha - Cauby, Azulão, Carmen, Prince, George, Cohen... Para um ano de tantas partidas, sonoridades intensas - o mel do melhor do "mundo orecular". 
Eis (em modo aleatório) a seleção dos discos de 2016 com os quais mais convivi: 

- Hóspede da natureza (Cátia de Françar); 
- Ascensão (Serena Assumpção); 
- Selvagem (Mariano Marovatto); 
- Monumento ao soldado desconhecido (Clima); 
- Tropix (Céu); 
- MM3 (Metá Metá); 
- Sabotage (Sabotage); 
- Banzeiro (Dona Onete); 
- Canções eróticas de ninar (Tom Zé); 
- O meu nome é qualquer um (Cesár Lacerda e Rômulo Fróes); 
- Duas cidades (Baiana System); 
- Orgunga (Rico Dalasam); 
- Canto de Marajó (Álvaro Lancellotti); 
- Remonta (Liniker); 
- Levaguiã terê (Vitor Araújo); 
- Abraçar e agradecer (Maria Bethânia)

15 dezembro 2016

Angolana



"Uma esperança morta", "uma ferida aberta", "um carnaval onírico". Elementos da alquimia (instalação) sonora engendrada pelos três amigos (para matar): Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci - a alma tríplice do Metá Metá: "um carmim, um fim, um dó / um agogô, um pus, um som".
Esses e outros versos do disco MM3 (2016) refazem os caminhos do trio, de "um canto perdido na voz incomum", canto que é "marca da felina sonsa que tem asa". Felina que é orixá sirênico urbano, é "escultura quebrada, falo partido, presságio infeliz". A intertextualidade entre as letras das canções - nos versos, expressões e temas des-dobrados - afirma esse canto trágico e lírico da vida nua, crua, épica singular. "Meu amor, eu acho que se a gente for pensar / de repente nem dá tempo de se imaginar", canta a tríade.
Nesse sentido, pensar MM3 como uma instalação não será um erro grave. A autonomia da obra é estabelecida nas dobras dos elementos que retornam. Esses retornos não deixam o pensamento travar e fazem o ouvinte pensar a obra a partir da obra. Além de permitirem a experiência de um mundo criado, inventado, cantado. Ou seja, esse re-tornar (sinônimo de sonar, tonar e ecoar) restaura o desconhecimento de mundo do ouvinte. E presentifica um mundo novo, cujo saber vem do embate com a obra-tribo de "uma beleza disforme, sem rosto, sem nome, sem moderação".
Parêntese: a letra da canção "A imagem do amor", de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, oferece matéria para a reflexão sobre a questão trans: trans-sexual, trans-e, trans-formar, trans-piração. O canto do nascimento de "uma menina tardia dos guias de luz" é ambíguo e metafórico (como toda linguagem artística deveria ser) e tematiza um corpo trans-formado, uma "escultura quebrada" a ferir os "olhos desleais". Fim do parêntese.
Se "de repente nem dá tempo de imaginar", o disco MM3 é "circular dentro de si". Ou seja, esculturaliza o corpo vão, faz o certo virar errado e o vazio virar semente, pó. Assim, engolir o mundo e regurgitar é gesto próprio dessa "boca funil" que "faz o torto voltar a ser regra". Boca cujo som é a amálgama da voz, da guitarra e do sax da trindade artística.
Sendo a dissonância a única possibilidade de acesso à verdade, o som do Metá Metá se rebela contra as aparências da arte que se declara insuficiente para si mesma. Daí que, se a obra é autônoma, ela não é independente e contem o histórico. No caso, os arquétipos e seus ensinamentos ancestrais - a afirmação da desterritorialidade (antropofágica?) da potência afro. O mito da democracia racial aparece em contraponto à histórica distorção domesticadora da ancestralidade. A razão canônica versus a filosofia orecular.
A antropofagia é anterior ao conceito. Daí o pedido-motriz: "Me diz de onde é que vem a sede de cantar, a seiva da canção no sangue tom carmim?", da canção "Angolana", assinada pelo trio. Todo o trabalho da voz de Juçara Marçal, da voz e da guitarra de Kiko Dinucci, do sax de Thiago França, do baixo de Marcelo Cabral e da bateria de Sergio Machado é uma investigação disso.
A Angolana do título é musa evocada e cujo canto tríplice é traduzido no som produzido e dado ao público no disco. A Angolana é anterior à antropofagia. "Só podemos atender ao mundo orecular", anota Oswald de Andrade no Manifesto Antropófago. Orecular é fazer do ouvido oráculo, é estar e ser à escuta. E aqui a Angolana é o oráculo a ser consultado, é "Angoulême" - bússola e desorientação, que "grita um verso a quem passar".
O enigma é mantido, pois os caracteres enigmáticos da Angolana provem do gesto de produzi-la na efemeridade do canto, da canção. Contra o messianismo sem messias do capitalismo, a Angolana está preservada em sua indeterminação matriarcal, no esforço artificialmente frustrado de cantar sua forma. Assim, a Angolana fala como as sereias nas mitologias: uma fala em ruidoso silêncio e que se aproxima do ouvinte através da circularidade do ordinário: "Pra o onde quer que eu vá / vou ao redor de mim", diz o sujeito.
Tomemos como exemplo desses retornos internos que miram "a sina de correr ao redor de mim (de si)" a cor vermelha, o encarnado, a carnação da canção que a Angolana é, o carmim espraiado em todo o disco. "Tem um carmim, um fim, um dó"; "pele tatuada, carne mutilada, o seu dente sangra", "o bisturi, a toalha"; "no sangue tom carmim"; "o vermelho do vinho"; "o be ri omon".
Lembremos que "a cor do pecado é rouge carmim", no canto de Alceu Valença; "eu não consigo evitar / desejo esse seu corpo / cheiro de carmim", canta Benito di Paula; "me suja de carmim / me põe na boca o mel", pede Wando; "uma ponta de cigarro / manchada de carmim / foi a única lembrança / que ficou pra mim", canta Ary Barroso; "guardo o lencinho branco / que esqueceste ao me abandonar / manchado assim pelo carmim que / tirei dos meus lábios quando te beijei", canta Dalva de Oliveira; "Eu quero, quero, quero, é claro que sim / iluminar o escuro com meu bustiê carmim / mesmo quando choro e adivinho que é esse o meu fim", afirma Maria Bethânia; "mamã mamãe, eu quero sim / quero ser mandarim / cheirando gasolina / na fina flor do meu jardim / assim como carmim / da boca das meninas / que a vida arrasa e contamina / o gás que embala o balancê" canta Moraes Moreira. E os exemplos continuam e se condensam no tom da "esperança morta", da "ferida aberta", do "carnaval onírico" do Metá Metá.
Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão. Se, como diz Riobaldo, "o sertão está em toda parte, o sertão está dentro da gente, levo o sertão dentro de mim e o mundo no qual vivo é também o sertão", a cor vermelha [o encarnado] tinge a escultura sonora erguida no tripé Metá Metá. E evoca os sertões narradores, da “barra do dia foi avermelhando o céu” (O quinze, de Rachel de Queiroz), à “catinga [que] estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas” (Vidas secas, de Graciliano Ramos).
"(Quem dera) respirar / no peito um novo ar / me perder por um caminho enfim", canta o sujeito de "Angolana". Localizamo-nos na platibanda de onde o sentinela Mano Légua mira e nos ensina a caminhar na trinca e pede: vamos lá, meu bem, experimente a terceira margem. Desse modo, os versos "a imagem do amor / não é pra qualquer / fere os olhos desleais / impele os imortais" são a síntese dos tempos de hoje, quando experimentar ainda é a única trans-perspectiva possível para quem deseja o axé das folhas ("l'ase ewe o"). E "se embrenhar no oco do vulcão / e acender o fogo do estopim: explodir, cantarolar".

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(Thiago França, Kiko Dinucci, Juçara Marçal)

Me diz de onde é que vem a gana de voar
A fome de mirar o horizonte, o fim
Me diz de onde é que vem
A sina de correr
Pra o onde quer que eu vá
Vou ao redor de mim

(Quem dera) respirar
No peito um novo ar
Me perder por um caminho enfim

Me diz de onde é que vem
A sede de cantar
A seiva da canção
No sangue tom carmim

Se embrenhar no oco do vulcão
E acender o fogo do estopim
Explodir, cantarolar
Malabares, bicho, cão
No vermelho do vinho
Na flecha partida
No chão
Querubim